
A Resina é uma secreção própria das espécies vegetais, mais abundante nas resinosas, expelida quando estas sofrem danos ou feridas nos troncos/ramos. É Líquido viscoso translucido e pegajoso, de cor amarela acastanhada e cheiro característico, distingue-se da seiva por esta ser uma substância aquosa relativamente clara e com finalidades diferentes. A resina tem como função proteger a árvore das agressões do meio, estimula a cicatrização, é reguladora de crescimento e repelente de herbívoros.
A resina é uma mistura complexa de componentes orgânicos, denominados de terpenos, insolúveis em água, mas solúveis em certos solventes orgânicos, tais como hidrocarbonetos, éter e etanol.
Em Portugal as principais espécies produtoras de resina com interesse comercial são o Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e o Pinheiro-manso (Pinus pinea), sendo que a espécie que mais se destaca é o pinheiro-bravo. As principais regiões produtoras e resina em Portugal, são o Litoral Centro (Distritos de Leiria e Coimbra) e o Interior Norte e Centro ( Distritos de Viseu e Vila Real).
A Resinagem é a atividade praticada pelo Resineiro que consiste na extração, recolha, limpeza e acondicionamento da resina produzida pelos pinheiros, para posteriormente encaminhar para as unidades industriais de 1ª transformação.
Esta atividade baseia-se na realização de incisões na casca do tronco (feridas ou renovas), estimulando a produção e libertação de resina pela árvore. A resina é posteriormente recolhida em recipientes fixados ao tronco, como púcaros ou sacos de recolha.
A Resinagem constitui uma importante fonte de valorização económica dos povoamentos de resinosas, contribuindo para a criação de emprego, riqueza e atividade económica nos meios rurais.
A atividade exige a presença de resineiros nas florestas durante cerca de 9 meses por ano. Durante este período, cada árvore tem que ser visitada aproximadamente de 15 em 15 dias para a realização de novas incisões (renova) e a aplicação da pasta estimulante. Esta presença contínua no território contribui também para a vigilância das áreas florestais, permitindo a deteção precoce de incêndios, pragas e outras ocorrências que possa afetar a floresta.
A resinagem encontra-se regulamentada pelo Decreto-Lei n.º181/2015, que estabelece o regime jurídico da resinagem e da circulação de reisina de pinheiro em Portugal Continental (http://resipinus.pt)

Atualmente, a atividade integra também novas soluções que contribuem para a sua modernização e eficiência. Entre estas destaca-se o Método Mecanizado de Incisão Circular (RMC), uma técnica inovadora que utiliza equipamento mecanizado para a realização de incisões e um sistema de recolha em saco fechado. Este método permite melhorar a eficiência das operações , reduzir o esforço físico associado à atividade e obter resina com menor teor de impurezas, mantendo o cumprimento dos requisitos técnicos e legais aplicáveis à Resinagem.
Em Portugal consideram-se duas formas de resinagem: a Resinagem à vida e a Resinagem à morte. Ambas se encontram previstas na legislação em vigor e são aplicadas de acordo com o modelo de gestão e condução dos povoamentos florestais.
A resinagem à vida é realizada no longo da vida do pinheiro, podendo legalmente ter início a partir do momento em que o tronco do pinheiro atinge um diâmetro mínimo de 20cm, (63cm de perímetro) a 1,30m do solo. Nesta forma de resinagem, o número de feridas permitidas por árvore varia em função do diâmetro do tronco, permitindo a continuidade do crescimento da árvore e da produção da madeira ao longo da sua vida (ver art. 4º do Decreto-Lei).
A resinagem à morte, corresponde à extração de resina efetuada no período que antecede o corte dos pinheiros, estando legalmente limitada aos quatro anos anteriores ao abate. Trata-se de uma forma de resinagem mais intensa, em que o número de feridas por árvore não é limitado, desde que seja respeitada uma distância mínima de 8cm entre cada ferida. Apesar da designação, esta forma de resinagem não provoca a morte da árvore, sendo apenas denominada desta forma por anteceder o seu corte.
Resinagem à vida

Resinagem à morte

O processo de resinagem inclui diversas operações cujo objetivo é extrair, acondicionar e encaminhar a resina para as unidades industriais de 1ª transformação.
Para conhecer todo o processo, desde a resinagem na floresta até à destilação da resina consulte o conteúdo disponível aqui







